Glauber Rocha não foi o 1º cineasta Integralista (VER A PARTE 1). Oswaldo Gouvêa já expunha a importância que o cinema tinha para a Doutrina Integralista, e na década de 30 já denunciava que as produtoras de filmes estrangeiras, principalmente a empresa norte-americana Fox, já estavam sabotando o cinema brasileiro desde essa época. Por isso não é de se estranhar que a maioria de nossas películas da “Bela Época” do pioneiro cinema nacional pegou fogo ou desapareceram. Em 1935, publicou o livro "Judeus no Cinema", hoje raríssimo, com a denúncia documentada de como as máfias haviam tomado posse de toda indústria cinematográfica. Em artigo publicado na revista Anauê! afirmava a importância da nacionalização do cinema para o movimento Integralista: “O movimento integralista, que em sua estruturação protege e ampara a nacionalização do cinema, tem encontrado por parte dos produtores brasileiros a maior boa vontade em sua difusão e em sua propaganda. Assim é que a maioria dos produtores, artistas, operadores e diretores de empresas, ingressou nas fileiras dos “camisas-verdes” tem prestado ao movimento todo o apoio que lhes é possível. Nossas festas, nossos desfiles e nossa comemorações são freqüentemente filmados pelos produtores brasileiros...
O apoio incondicional que o Integralismo dá ao cinema brasileiro, vai
além daquilo que a liberal-democracia promete para não cumprir. Não basta uma
lei mais ou menos rigorosa. Não basta um decreto mais ou menos exigente. É
preciso que o governo compreenda antes de tudo qual o papel da cinematografia
na formação de uma Pátria. O Estado Integral dará ao cinema não só o apoio
moral, como também, e, principalmente, o auxílio financeiro. Daí se organizarão
grandes empresas. A indústria progredirá a nossa propaganda será cada vez maior.
A nacionalização do cinema, entretanto, é uma das maiores necessidades. Não se
pode conceber, por exemplo, como a liberal-democracia decrete uma lei proibindo
que estrangeiros possam ser proprietários ou diretores de jornais, e não cogite
de fazer o mesmo na cinematografia. O cinema, como veículo de educação e de
propaganda, tem inegavelmente mais poder de penetração que o jornal. Por que,
pois, legar-se ao cinema tamanho abandono? O cinema progride entre nós. Os
descrentes já admitem a possibilidade de se realizar grandes filmes nacionais.
E os estrangeiros estão aí de olhos abertos, montando fábricas, filmando tudo o
que podem. A Fox-Film, por exemplo, vive numa estranha atividade, filmando
aspectos nossos em jornais que exibe numa pressa louca, sequiosa de se mostrar
mais ativa que os produtores brasileiros. E só porque é uma empresa
estrangeira, goza de tosas as complacências da Censura. Este, o aspecto geral
do cinema brasileiro. Enquanto pequenos produtores lutam contra indiferença do
regime e a campanha secreta das forças do capitalismo internacional que influem
poderosamente em todos os setores da atividade brasileira, os judeus americanos
vão se apoderando das posições, numa ofensiva disfarçada, dominado todo o
aparelhamento administrativo de nossa pátria. Algum dia, porém, as coisas
mudarão e tudo mudará. Nesse dia nós teremos implantado no Brasil o Estado
Integral e o cinema brasileiro se elevará, terá a sua posição definida e
merecida. E aí daqueles, que, de qualquer forma, entravarem a marcha do cinema
brasileiro...
Não basta um decreto mais ou menos exigente. É preciso que o governo
compreenda antes de tudo qual o papel da cinematografia na formação de uma
Pátria. O Estado Integral dará ao cinema não só o apoio moral, como também, e,
principalmente, o auxílio financeiro. Daí se organizarão grandes empresas. A
indústria progredirá a nossa propaganda será cada vez maior”.
J. Pacha, um dos Chefes Integralistas da cidade de Petrópolis, mostrava
em uma matéria da revista “Anauê!” que a indústria de cinema norte-americana já
lucrava milhões exibindo suas fitas nos cinemas brasileiros na década de 30:
“Há, entretanto, na Inglaterra, outras pequenas empresas, que não exploram
capitães americanos, que lutam desesperadamente para collocar seus films nos
mercados. A Allemanha, depois da resistência formidável de Hitler, creando leis
protectoras da indústria cinematographica, conseguiu um surto extraordinário em
suas producções e vem vencendo com relativa facilidade, colocando-se entre os
primeiros paizes produtores. No Brasil, só no Brasil, a indústria
cinematographica ainda é um problema a se resolver. Nós nos descuidamos
demasiadamente e nada fizemos até agora que nos pudesse libertar do domínio
norte-americano. Depois de haver o capitalismo de Nova York dominado
completamente a nossa situação, creando aqui succursaes e desviando daqui o
nosso ouro, houve um decreto favorecendo os produtores brasileiros. O remédio
veiu um pouco tarde para o enfermo, mas emfim, veiu. Despertando de nosso
marasmo, reagimos. Surgem films. Studios aparecem. É crível que desta vez os
brasileiros compreendam o valor da arte cinematographica e o que ella
representa para um paiz Mas será bem difícil de se resistir á campanha secreta
que as productoras de Hollywood movem ao nosso cinema. O Brasil é um sonho
dourado para os capitalistas yankees. Imagine-se que a renda dos films
estrangeiros em 1933, produzida pelos nossos cinemas, atingiu á somma
inacreditável de 150 mil contos!... E toda esta fortuna foi canalizada para a
América do Norte, para que os capitalistas da Broadway continuem a nos prestar
o grande favor de mandar suas pelliculas de escândalo, crime e guerra...”
O Integralismo foi o movimento brasileiro que mais incentivou o cinema
nacional desde o seu princípio. Fritz Rummert Junior foi o Chefe do
Departamento Nacional Cinematographico. Entre os cineastas Integralistas
estavam nomes muito importantes da História do Cinema Nacional: Humberto Mauro,
Adhemar Gonzaga, Carmen Santos, Alfredo Baumgarten, João Holl, João Gonçalves
Carriço, o paranaense João Baptista Groff, o catarinense Alfredo Baumgarten e
Américo Matrangola. Foi ele que filmou, em 1935, junto com João Baptista Groff,
“O Integralismo no Brasil”, que foi o principal filme Integralista! Pelo que se
sabe era um filme em 8 partes, sobre a doutrina integralista, no qual aparecem
as mais destacadas figuras da Ação Integralista Brasileira e os batalhões de
camisas verdes em desfile. O filme foi destruído pelo próprio Matrangola com
medo depois que João Groff foi preso!
Dos vinte e dois filmes sobre a AIB registrados, apenas sete ainda
existem. Fritz Rummert Jr., juntamente com João Holl fizeram 20 cinejornais
para a Sigma Filmes, que eram reunidos em 3 filmes, todos perdidos.
João Groff era o editor da revista Ilustração Paranaense, porta-voz do
paranismo, movimento que adotou a Anta do Movimento Verde-Amarelista para sua
simbologia. Sua obra mais famosa foi certamente “Pátria Redimida”, em que
exaltava a Revolução de 1930 com a chegada de Getúlio Vargas ao poder. Parte
das filmagens do “Pátria Redimida” se perdeu. Plínio Salgado, que antes estava
presente nas páginas da revista editada por Groff, apareceu também nas
filmagens do cinegrafista, restando 3 filmes seus com filmagens da AIB
preservados: “Zeppelin em Curitiba”, “Comício Integralista” e “Rumo ao Norte do
Paraná”. Por sua colaboração com o Integralismo foi perseguido e preso.
Alfredo Baumgarten filmou em 1935 o “Primeiro Congresso Meridional
Integralista”, um dos poucos filmes que ainda restam alguns trechos. O filme
completo com todas as cenas que faltam chamava “A Grande Parada Pliniana”.
Algumas filmagens de João Gonçalves Carriço também estão preservadas na
Cinemateca Nacional: Cine Jornal Atualidades nº11 (1934), que mostra o chefe
integralista Oscar Machado e o pelotão de integralistas; o Cine Jornal
Atualidades nº. 36 (1936), que focaliza Plínio Salgado e militantes numa
conferência em Juiz de Fora (MG) e Cine Atualidades nº.45 (1936), que mostra
integralistas durante as comemorações da Bandeira. Esses filmes sobreviveram ao
descaso e a um crime cultural, pois parte deles foi lançado no Rio Paraibuna
quando o Estado Novo começou a repressão contra os Integralistas.
Adhemar Gonzaga começou sua carreira desenhando para as revistas O
Tico Tico e O Malho. Fundou em 1930, os estúdios
da Cinédia, primeira tentativa de industrializar a produção cinematográfica
no país. Produziu mais de 50 filmes dos diretores Humberto Mauro, Gilda de
Abreu, Luís de Barros, entre outros. Dirigiu o drama "Barro
Humano" (1929) e quatro comédias musicais que inspirariam
as chanchadas dos anos 50, com destaque para o
clássico "Alô Alô Carnaval" (1936), estrelado
por Carmen Miranda e sua irmã Aurora Miranda, onde elas cantam o
clássico "Cantoras do Rádio". Em 1937 filmou o encontro entre
Integralistas e Getúlio Vargas (material perdido).
Da mesma forma que Gustavo Barroso foi o escritor que mais escreveu
livros no Brasil, o também Integralista, Humberto Mauro, o realizador da
animação do Jonjoca, foi o cineasta que mais produziu filmes no país, revelou a
atriz e cantora Carmem Miranda e é considerado o “pai” do cinema brasileiro!
Nascido em Volta Grande, pequeno lugarejo perto da cidade de Cataguases, Minas
Gerais, começou a filmar em 1925, e produziu mais de 400 filmes, entre longas,
curtas e documentários, até 1978. A maioria, infelizmente, perdidos... Sua data
de falecimento foi no dia 5 de novembro de 1983, aos 86 anos, mesma data em que
se comemora o dia Nacional da Cultura, do Cinema Brasileiro e do Radioamador!
O Brasil também foi pioneiro nos seriados de super-heróis contra
monstros, no filme de animação com bonecos “Jonjoca, o Dragãozinho Manso”
(1942), de Humberto Mauro, que antecipa o “pai” dos tokusatsus (nome que se dá
aos seriados de super-heróis no Japão), o monstro Godzilla, que teve seu
primeiro filme somente em 1954 e é considerado o marco inicial do tokusatsu. O
Japão começou a produzir seus desenhos-animados, os animes, só em 1947, mais
uma vez nós somos pioneiros em relação aos japoneses! Ao contrário dos heróis e
monstros japoneses, que são irrascíveis, Jonjoca, o dragão brasileiro, é bem
bonzinho. Na história da animação, São Jorge fica com dó do dragão e decide
domesticá-lo, deixando-o manso. Maria Terezinha é a sobrinha do São Jorge que
passa a passear com o dragão a quem dá o apelido de Jonjoca. Fica evidente a
semelhança do São Jorge com os super-heróis japoneses e também com Príncipe
Oscar e, da mesma forma que o Príncipe Oscar foi criação do renomado Gustavo
Barroso, é ilustre o nome brasileiros por trás do roteiro dessa pioneira
animação! Também da Academia Brasileira de Letras, Odylo Costa Filho,
(1914-1979) foi o autor da história, e ele certamente teve contato com o “Anell
Mágico”, de seu colega acadêmico, Gustavo Barroso! O poeta Odylo sempre se
preocupou com as crianças e foi defensor da revisão do sistema de assistência
aos menores abandonados, mesmo após seu filho, Odylo Costa Neto, ter sido
assassinado por um menor de idade, em 1963. Do seu empenho, nasceu a Fundação
Nacional do Bem-Estar do Menor (Funabem), que foi um exemplo no tratamento aos
menores infratores, pelo menos quando surgiu.
Outra cineasta e atriz Integralista foi Carmen Santos, a mais importante
mulher da história do cinema brasileiro! Atriz, dona de estúdio, produtora,
roteirista e diretora, Carmen (nascida Maria do Carmo), nasceu em Portugal em 8
de junho de 1904, mas veio para o Brasil em 1912, com oito anos de idade, para
viver no Rio de Janeiro. Ela, a mãe, d. Ana Cândida, e a irmã, Juliana, vieram
de vez para viver com o pai, João dos Santos Gonçalves, que desembarcara anos
antes para preparar o terreno para a vinda da família. Seu primeiro trabalho
foi como protagonista do filme "Urutau" (1919), de William
Jansen, atendendo a um anúncio de uma revista em busca de atrizes. Com 15 anos
se casa com o industrial Antônio Seabra que passa a bancar toda sua produção
cinematográfica. Na década de 1920, Carmen se envolveu com dois projetos: as
adaptações de “A Carne”, de Julio Ribeiro (completado muitos anos depois,
mas nunca lançado), e “Melle Cinema”, de Benjamim Costallat. Depois de
atuar em “Sangue Mineiro” (1929), do futuro Integralista, Humberto Mauro,
e “Limite” (1931), de Mário Peixoto, a cineasta iniciou a produção
de “Onde a Terra Acaba”, um ambicioso projeto em parceria com Peixoto, que
foi finalizado apenas em 1933.
Carmen foi uma mulher destemida e de forte personalidade e junto com os
Integralistas Humberto Mauro e Adhemar Gonzaga, formou uma parceria
profissional das mais importantes da história do cinema brasileiro. Carmen
galgaria mais um passo impensável para uma mulher da década de 30: a construção
de um estúdio de cinema, a “Brasil Vox Film”, em 1934, que no ano seguinte
passaria a se chamar “Brasil Vita Filme”, responsável pela produção de inúmeros
filmes do cinema silencioso no país e crucial para o desenvolvimento do nosso
cinema sonoro. Essa época que mais se envolve com o Integralismo e passa a ser
elogiada em todas as publicações Integralistas, quando declara: “No Cinema
Brasileiro, eu ficaria profundamente magoada se me dessem o título de ‘estrela’ — eu sou um cérebro que trabalha
desabaladamente das oito às 24 horas, que luta pela organização da indústria
cinematográfica em nosso país com a máxima sinceridade e, por isso, quase
sempre, sozinha... quero é trabalho, produção conscienciosa; é cinema na nossa
língua; costumes, ambientes, técnica, tudo brasileiro; absolutamente, essencialmente
brasileiro”.
A Brasil Vita Filme produz vários documentários e também dois longas de
Humberto Mauro e estrelados por Carmen: “Favela dos Meus Amores”, em 1935,
e “Cidade Mulher”, em 1936. A frente de seu tempo, Carmen dizia que
representava: “a mulher moderna, a “sapeca”, na expressão vulgar. Com um fundo
de sinceridade e sentimentalismo”.
Seu maior projeto, e obsessão, foi a realização do filme “Inconfidência
Mineira”, que planejou em 1937, mas só concluiu 11 anos depois, em 1948. O
filme fracassou e levou Carmen à falência. Carmen Santos morre no dia 24 de
setembro de 1952, vítima de câncer, aos 48 anos de idade. De todos os seus
filmes, que a maioria pegou fogo (porque será que os documentos culturais
importantes nacionais sempre pegam fogo?), de “Inconfidência Mineira”, restam
fragmentos, restando ainda inteiros os mudos “Sangue
Mineiro” e “Limite”, falado só restou “Argila”, sendo todos
indispensáveis para aqueles que desejam ter uma idéia da excelência de sua
obra, que marcou pra sempre o cinema brasileiro! Livros para conhecer
a história dessa mulher Integralista a frente de seu tempo são: sua
autobiografia “17 anos no inferno” e “Carmen Santos – o cinema dos anos
20” (2002), de Ana Pessoa, mas em geral, é somente nas publicações Integralistas
da década de 30 que se encontra ainda os resquícios da sua militãncia na
Doutrina do Sigma.
A atriz Janet Chermont é neta do Integralista Vicente Chermont de
Miranda, que publicou livros sobre diversos assuntos, por exemplo, a questão
agrária em "Estatuto da Lavoura Canavieira e sua interpretação" e
"A reforma agrária e a experiência do Estatuto da Lavoura
Canavieira"; biologia em "O mal das cadeiras ou a Cysticercose
eqüina", "Moléstias que afetam os animais domésticos mormente o gado
na ilha de Marajó", "Marajó: estudos sobre seu solo, seus animais e
suas plantas"; e na área de Folclore publicou: "Estudos sôbre o
Nhêengatú" e "Glossário Paraense – Coleção de vocábulos peculiares à
Amazônia e especialmente à Ilha de Marajó". Janet foi a atriz principal de
“Manhã Cinzenta”, filme clássico de Olney São Paulo de 1968, quando a neta do
Integralista se tornou a musa dos guerrilheiros comunistas (procure meu artigo
“Os Protocolos do Jamil" anexo no livro "Super-Heróis Brasileiros da
Revolução" para maiores informações sobre esse filme)! Depois disso
trabalhou em mais 3 filmes: “Meu Pé de Laranja Lima” (1970), “Relatório de um
homem casado” (1974) e “Um Sonho de Vampiros” (1969), que é considerado o 1º
filme de vampiros do Brasil!
Da obra do Integralista baiano Adonias Filho, foram produzidas duas
obras-primas do cinema nacional, “Um Anjo Mau” e “O Forte”. “Um Anjo Mau”,
dirigido por Roberto Santos em 1971, traz como estrela principal Adriana
Pietro, interpretando a sofrida heroína Açucena, que pela força de seu caráter
demonstrado durante o filme a elevou ao estandarte de musa Integralista! Já “O
Forte” foi dirigido por Olney São Paulo,
em 1972, e é um filme trágico e belo, de forma que a obra de Adonias Filho foi duas
vezes levada ao cinema de forma impactante! Enquanto em “Um Anjo Mau” a Açucena
é uma heroína que sem perspectivas escolhe a vingança, em “O Forte” há Tibiti,
uma mulher dividida entre as promessas do primeiro amor e o marido,
interpretada pela bela atriz Sandra Mara. O filme demonstra todo anti-racismo
do Integralista Adonias Filho, e inova ao trazer mulheres negras no papel de
protagonistas em relações com homens brancos. A trilha-sonora também se
destaca, com ótimas canções de Paulo Diniz, Turma da Pesada, Tom Zé, Caetano
Veloso e outros.
Da obra do Integralista paraíbano José Lins do
Rego, foram produzidos os filmes "Menino de engenho" (1965)
dirigido por Walter Lima Júnior, e "Fogo
morto" (1976), dirigido por Marcos Farias.
Existem pelo menos 3 documentários importantes sobre o Integralismo que
foram produzidos para o cinema no século XXI. “Soldados de Deus” é um
documentário de Sergio Sanz produzido em 2004 que conta com importantes
depoimentos de Miguel Reale, Nilza Perez de Rezende (advogada trabalhista e uma
das mulheres mais importante na hierarquia do Integralismo), o editor
Gumercindo Rocha Dórea, o poeta Gerardo Melo Mourão, Arcy Lopes Estrella
(criador do Centro Cultural Plínio Salgado), Padre Salgado Crispim (afilhado de
Plínio salgado), e outros... Apesar de ser um bom documentário, sob o título da
imparcialidade, traz entrevistas totalmente desnecessárias com historiadores
esquerdistas que reproduzem as mentiras, besteiras e alienações de sempre, mas
a presença de muitos Integralistas dando entrevistas garante uma parte do seu
conteúdo, ao menos, crível.
“O Que Bererico Vai Pensar?” apresenta reflexos sobre o Integralismo
numa pequena vila no interior de Espírito Santo, o vilarejo de Floresta, na
cidade de Cachoeiro do Itapemirim, onde o engajamento político causou o
rompimento da amizade entre os dois mais influentes homens da vila, que por
suas posições políticas polarizadas se tornam oponentes, levando suas famílias
e parte da comunidade junto nessa diferença. Dirigido por Diego Scarparo, em
2012, o filme traz depoimentos de muitos ex-Integralistas e é muito legal ver
que até hoje existem Integralistas apaixonados pela Doutrina do Sigma na
localidade, até mesmo influenciando os mais novos, jovens descendentes dos
velhos camisas-verdes da AIB que se tornaram Integralistas no século XXI, para
desespero dos conformistas.
Já o documentário “Anauê! – O Integralismo e o Nazismo na Região de
Blumenau”, de Zeca Pires, de 2017, é o mais tendencioso de todos, a
começar pelo titulo que faz questão de associar o Integralismo com o nazismo.
Tudo indica que a recente relevância que o Integralismo vem retomando na
sociedade brasileira, ainda que tímida, já está incomodando e assustando
algumas pessoas, ao ponto de produzirem esse filme justamente na proporção que
aumentaram as referências ao Integralismo na mídia em geral. E a grande mídia
fará questão de cada vez mais fazer a ligação do Integralismo com o nazismo com
o intuito de impedir o renascimento da Doutrina do Sigma! Isso pode se tornar
um tiro no pé deles próprios porque essa mentira tem a perna muito curta. O
Integralismo é original, não é fascista e combateu o nazismo, ainda que a
maioria dos Integralistas tenha alguma simpatia a determinados aspectos
positivos tanto do fascismo quanto do nacional-socialismo, mas as diferenças
sempre foram determinantes para que nunca ocorresse uma fusão entre os
movimentos. Eram nacionalismos que se colidiam! O filme “Anauê” nem se esforça
para incutir na cabeça de quem assiste que Integralismo e nazismo são a mesma
coisa, confiam absolutamente estarem lidando com a maioria lobotomizada pela
mídia e pela escola, sabem que existem os que ficarão contra o filme, mas não
estão preparados para a nova comsovisão Linearissta e muito menos para o que o
Integralismo se tornará quando estiver totalmente associado com esse conceito
revolucionário. Eles vão ficar repetindo mentiras que há muito foram
desmentidas, mas terão que ser desmentidas de novo, de novo e de novo, se
nescessário for. E a verdade uma hora prevalece pra quem não for cego para
enxergar a Luz. O sistema teme o Integralismo e antecipa-se perante a
re-organização do movimento, que a cada dia se torna mais viável, pois a Marcha
Verde é inevitável e será inexorável!
Existe um documenário mentiroso e canalha,
chamado "Menino 23" (2016), que inventa que a família Rocha Miranda,
tão famosos que são até nome de um bairro e uma estação de trem do Rio de
Janeiro, eram nazistas e faz de tudo para acusar o Integralismo de racista! E
um argumento usado é que a fazenda era decorada com suásticas em alguns pontos,
os tijolos da construção das casas tinham suásticas e o emblema do time de
futebol dos meninos da Fazenda Cruzeiro do Sul tinha por simbolo a suástica.
Aliás, importane destacar que todos os meninos que aparecem nas fotos com a
camisa do tal "time nazista" são fortes e cheios de saúde! A suástica
fazia parte da flâmula do time, mas qual o problema nisso? Ela não era proibida
na ocasião. Essa fazenda foi construída numa época em que o nazismo não era
proibido e podem muito bem ter comprado tijolos que eram produzidos por algum
alemão. Até o símbolo dos postos Shell era uma suástica na época! A revista
infatil brasileira O Tico Tico, em 1936, ensinava para as crianças que a
suástica é um símbolo milenar e usado no mundo todo com aspectos religiosos
enquanto sendo sinal de sorte, saúde e proteção. Esse era o conceito geral da
suástica na época. Julgar que os Rocha Miranda eram racistas por usar a suática
em sua fazenda e time de futebol foge do contexto da época, em que o próprio
líder do movimento negro no país, Arlindo Veiga dos Santos, presidente da
Frente Negra Brasileira, declarava sua admiração por Adolph Hitler!
Já têm um contra-documentário que desmente o
outro e prova que os Rocha Miranda eram boníssimos e queridos por todos os
meninos que criavam, os resgatando de reformatórios insalubres do Rio de
Janeiro, lhes dando uma vida digna no interior. Toda essa reportagem se baseia
na denúncia de um único desses meninos, o tal "23", que hoje em dia é
um idoso bebum e pelo que outras fontes relatam sempre foi rebelde, brigão e
muito violento. Dos meninos que se deram bem na vida e constituíram família e
são agradecidos aos Rocha Miranda até hoje, desses eles não comentam. Os irmãos
Otávio, Osvaldo e Renato Rocha Miranda eram Integralistas respeitados e que
ajudavam meninos abandonados de abrigos, lhes dando casa, comida, educação,
lazer, esportes e uma direção na vida, sendo que muitos ainda são moradores da
região, e até os seus filhos e netos são agradecidos aos Rocha Miranda!
Essa associação do Integralismo com o Nazismo no sul do país já tinha
sido abordada em “Aleluia, Gretchen”, filme de 1976 dirigido por
Sylvio Back, filho de imigrantes – pai judeu húngaro e mãe alemã – que
construiu sua obra em cima da sua visão esquerdista e judaizada da história
nacional. Sempre com uma visão deturpada sobre o Integralismo, ou no mínimo
caricata, personagens Integralistas já apareceram diversas vezes em obras do
cinema nacional, entre elas “Tudo Bem”, de Arnaldo Jabor (1978), “Memórias do
Cárcere”, de Nelson Pereira dos Santos (1984), “A ópera do malandro” da
obra de Chico Buarque com direção de Ruy Guerra (1985), "O País dos
Tenentes", de João Batista de Andrade (1987) e “Garotas do ABC”, de
Carlos Reichenbach (2004).
Em 2011 foi divulgado que o renomado cineasta Roberto Faria faria um
filme com grandes estrelas do cinema e da televisão brasileira inspirado no
romance “Anauê”, de José Marcelo Grillo, que narra toda a saga do Integralismo
em Floresta, mas Roberto Faria faleceu antes da realização do filme,
infelizmente. José Marcelo Grillo, autor capixaba, escreveu “Anauê! A
apaixonante saga integralista numa colônia de imigrantes italianos” no ano de
2001. O livro é um romance que aborda o movimento integralista em Floresta,
hoje Burarama (ES). Uma paixão proibida entre um membro da elite local, casado,
líder do Partido Social Democrático (PSD) na região, e uma jovem simpática ao
movimento Integralista é utilizada pelo autor para contar a experiência
Integralista de Floresta. Os dois imigrantes italianos vêem o vínculo de
amizade que os unia se esfacelar pela opção político-ideológica: Giordano
Berllone, o antiintegralista; Gardini, o Integralista fervoroso. A jovem
Giovanna entra na história como uma fagulha a triscar no pavio do coração do
nem tão jovem Giordano. Casado e bem-sucedido, Berllone veria sua vida mudar
com a paixão avassaladora pela bela e jovem Integralista Giovanna Manzzani. Só
que naquela época as convenções tinham importância e a diferença de idade era
um problema menor do que o fato de Giordano ser casado... Um amor proibido
marcado pela ascensão do Integralismo. Num grande esforço de reportagem,
Grillo entrevistou dezenas de pessoas que viveram os fatos ocorridos nas
décadas de 1930 a 1950. Colheu histórias reais e, na impossibilidade de fazer
um romance histórico, devido ao desconforto que o assunto até hoje causa nas
várias personagens vivas, algumas membros de sua família, recorreu ao romance
de ficção. Alterou nomes verdadeiros, ficcionou trechos para intercalar capítulos
verídicos, costurou uma linha dramática sem se prender necessariamente à
realidade, mas grande parte da história, inclusive o amor proibido, foi real, e
esperamos que a história chegue ao cinema em uma super-produção conforme estava
previsto.
“Rasga Coração” é uma peça de teatro que Oduvaldo Vianna Filho começou a
escrever em 1971 e só a concluiu em 1974, e foi levada ao cinema em 2018. E
entre todas as obras citadas que mostram o Integralismo por via da ficção, essa
também é a que melhor retrata os Integralistas. Passada nos anos 70 mostra que
no passado Manguari foi preso e torturado, no “período das catacumbas”, quando
os Integralistas começaram a ser perseguidos pela ditadura que Getúlio Vargas
impôs ao país a partir de 10 de novembro de 1937. A obra de Oduvaldo Vianna não
caiu no lugar comum de ficar associando o Integralismo com fascismo e nazismo,
o foco da peça é o conflito de gerações entre pai e filho, Manguari Pistolão e
Luca. O agora sisudo Custódio Manhaes Jr. não aceita o jeito do filho, um jovem
rebelde que usa cabelos compridos, fuma maconha e namora Milena, que defende a
luta armada contra o regime militar. O que a peça mostra é que na sua
juventude, em seus tempos de Integralista, o Sr. Custódio era chamado de
Manguari Pistolão e era tão rebelde quanto o filho na luta contra o Estado
Novo, ou seja, haviam mais semelhanças entre eles do que diferenças
propriamente ditas.
A ótima novela de época da TV Manchete, “Kananga do Japão” (1989) e a
mais recente “Jóia Rara”, da TV Globo (2013), tiveram personagens Integralistas
que, o que é normal de se esperar em se tratando de produções da grande mídia,
é claro, eram os vilões da trama.
Uma das maiores novelistas do país, a excelente autora Glória Perez,—
mãe da atriz e bailarina assassinada em 28 de dezembro de 1992, Daniella Perez,
que teve sua estréia na TV em 'Kananga no Japão'—, é filha do escritor e
jurista Integralista, Miguel Jeronymo Ferrante, autor de diversas obras, entre
elas o clássico da literatura amazônica, "Seringal" (1972).
"Gustavo Barroso, o criador do Príncipe Oscar, o 1o
super-herói do mundo" (Rod Tigre/ 2020) é um documentário que revela a
pouco discutida questão de Gustavo Barroso ter criado, ainda na adolescência
quando trabalhava para a revista infantil "O Tico-Tico", no ano de
1908, aquele que é, comprovadamente através das datas que provam, o 1o
super-herói das Histórias em Quadrinhos do mundo!
O Doutrinador surgiu nas Histórias em
Quadrinhos em 2008, criado por Luciano Cunha, como um herói "de esquerda".
Algumas fontes (ligadas a associação Quadrinhistas Antifascistas) afirmam que o
autor se influenciou pelo revival Integralista que surgiu após a onda de
protestos de 2013, e tornou o Doutrinador um policial, que após sua filha
falecer devido ao descaso com a saúde por parte dos governantes responsáveis,
leva a Doutrina Integralista as últimas consequências e passa a se mascarar e
assinar os políticos corruptos! O personagem é querido do ex-ministro da
cultura do presdiente Jair Bolsonaro, Roberto Alvin, demitido por ser fã de
Joseph Goebbels. Chegou aos cinemas em 2018 e teve um seriado de TV em 2019. O
documentário "Fauzi Herói" (2020), do canal Homem Integral, mostra um
herói Integralista da vida real, o carioca Eduardo Fauzi, que divulgou a
Doutrina do Sigma nos principais jornais brasileiros e pelo mundo todo, e hoje,
perseguido, é um exilado político em pleno século XXI!
O MIL-B, Movimento Integralista e Linearista Brasileiro, produziu,
também para o Canal Homem-Integral, o documentário "A HISTÓRIA SECRETA DA
AÇÃO INTEGRALISTA BRASILEIRA DOS ANOS 80 ATÉ OS DIAS DE HOJE" dividido em
4 partes que mostra toda trajetória do Integralismo a partir dos anos 1980 até
a chegada do MIL-B e outras organizações atuais como a AIR (Ação Integralista
Revolucionária), a FIB e a ACCALE. É a 1a vez que um documentário
sobre o Integralismo é produzido por Integralistas, ou seja, sem distorções da
visão predominante que sempre o coloca na mesma gavetinha da estante do
lugar-comum: Integralismo é fascismo!
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