sexta-feira, 9 de abril de 2021

O INTEGRALISMO E O CINEMA! parte 2: O INTEGRALISMO NO CINEMA, NOS DOCUMENTÁRIOS E NAS NOVELAS!

 Glauber Rocha não foi o 1º cineasta Integralista (VER A PARTE 1). Oswaldo Gouvêa já expunha a importância que o cinema tinha para a Doutrina Integralista, e na década de 30 já denunciava que as produtoras de filmes estrangeiras, principalmente a empresa norte-americana Fox, já estavam sabotando o cinema brasileiro desde essa época. Por isso não é de se estranhar que a maioria de nossas películas da “Bela Época” do pioneiro cinema nacional pegou fogo ou desapareceram. Em 1935, publicou o livro "Judeus no Cinema", hoje raríssimo, com a denúncia documentada de como as máfias haviam tomado posse de toda indústria cinematográfica. Em artigo publicado na revista Anauê! afirmava a importância da nacionalização do cinema para o movimento Integralista: “O movimento integralista, que em sua estruturação protege e ampara a nacionalização do cinema, tem encontrado por parte dos produtores brasileiros a maior boa vontade em sua difusão e em sua propaganda. Assim é que a maioria dos produtores, artistas, operadores e diretores de empresas, ingressou nas fileiras dos “camisas-verdes” tem prestado ao movimento todo o apoio que lhes é possível. Nossas festas, nossos desfiles e nossa comemorações são freqüentemente filmados pelos produtores brasileiros...

  O apoio incondicional que o Integralismo dá ao cinema brasileiro, vai além daquilo que a liberal-democracia promete para não cumprir. Não basta uma lei mais ou menos rigorosa. Não basta um decreto mais ou menos exigente. É preciso que o governo compreenda antes de tudo qual o papel da cinematografia na formação de uma Pátria. O Estado Integral dará ao cinema não só o apoio moral, como também, e, principalmente, o auxílio financeiro. Daí se organizarão grandes empresas. A indústria progredirá a nossa propaganda será cada vez maior. A nacionalização do cinema, entretanto, é uma das maiores necessidades. Não se pode conceber, por exemplo, como a liberal-democracia decrete uma lei proibindo que estrangeiros possam ser proprietários ou diretores de jornais, e não cogite de fazer o mesmo na cinematografia. O cinema, como veículo de educação e de propaganda, tem inegavelmente mais poder de penetração que o jornal. Por que, pois, legar-se ao cinema tamanho abandono? O cinema progride entre nós. Os descrentes já admitem a possibilidade de se realizar grandes filmes nacionais. E os estrangeiros estão aí de olhos abertos, montando fábricas, filmando tudo o que podem. A Fox-Film, por exemplo, vive numa estranha atividade, filmando aspectos nossos em jornais que exibe numa pressa louca, sequiosa de se mostrar mais ativa que os produtores brasileiros. E só porque é uma empresa estrangeira, goza de tosas as complacências da Censura. Este, o aspecto geral do cinema brasileiro. Enquanto pequenos produtores lutam contra indiferença do regime e a campanha secreta das forças do capitalismo internacional que influem poderosamente em todos os setores da atividade brasileira, os judeus americanos vão se apoderando das posições, numa ofensiva disfarçada, dominado todo o aparelhamento administrativo de nossa pátria. Algum dia, porém, as coisas mudarão e tudo mudará. Nesse dia nós teremos implantado no Brasil o Estado Integral e o cinema brasileiro se elevará, terá a sua posição definida e merecida. E aí daqueles, que, de qualquer forma, entravarem a marcha do cinema brasileiro...

  Não basta um decreto mais ou menos exigente. É preciso que o governo compreenda antes de tudo qual o papel da cinematografia na formação de uma Pátria. O Estado Integral dará ao cinema não só o apoio moral, como também, e, principalmente, o auxílio financeiro. Daí se organizarão grandes empresas. A indústria progredirá a nossa propaganda será cada vez maior”.

  J. Pacha, um dos Chefes Integralistas da cidade de Petrópolis, mostrava em uma matéria da revista “Anauê!” que a indústria de cinema norte-americana já lucrava milhões exibindo suas fitas nos cinemas brasileiros na década de 30: “Há, entretanto, na Inglaterra, outras pequenas empresas, que não exploram capitães americanos, que lutam desesperadamente para collocar seus films nos mercados. A Allemanha, depois da resistência formidável de Hitler, creando leis protectoras da indústria cinematographica, conseguiu um surto extraordinário em suas producções e vem vencendo com relativa facilidade, colocando-se entre os primeiros paizes produtores. No Brasil, só no Brasil, a indústria cinematographica ainda é um problema a se resolver. Nós nos descuidamos demasiadamente e nada fizemos até agora que nos pudesse libertar do domínio norte-americano. Depois de haver o capitalismo de Nova York dominado completamente a nossa situação, creando aqui succursaes e desviando daqui o nosso ouro, houve um decreto favorecendo os produtores brasileiros. O remédio veiu um pouco tarde para o enfermo, mas emfim, veiu. Despertando de nosso marasmo, reagimos. Surgem films. Studios aparecem. É crível que desta vez os brasileiros compreendam o valor da arte cinematographica e o que ella representa para um paiz Mas será bem difícil de se resistir á campanha secreta que as productoras de Hollywood movem ao nosso cinema. O Brasil é um sonho dourado para os capitalistas yankees. Imagine-se que a renda dos films estrangeiros em 1933, produzida pelos nossos cinemas, atingiu á somma inacreditável de 150 mil contos!... E toda esta fortuna foi canalizada para a América do Norte, para que os capitalistas da Broadway continuem a nos prestar o grande favor de mandar suas pelliculas de escândalo, crime e guerra...”

  O Integralismo foi o movimento brasileiro que mais incentivou o cinema nacional desde o seu princípio. Fritz Rummert Junior foi o Chefe do Departamento Nacional Cinematographico. Entre os cineastas Integralistas estavam nomes muito importantes da História do Cinema Nacional: Humberto Mauro, Adhemar Gonzaga, Carmen Santos, Alfredo Baumgarten, João Holl, João Gonçalves Carriço, o paranaense João Baptista Groff, o catarinense Alfredo Baumgarten e Américo Matrangola. Foi ele que filmou, em 1935, junto com João Baptista Groff, “O Integralismo no Brasil”, que foi o principal filme Integralista! Pelo que se sabe era um filme em 8 partes, sobre a doutrina integralista, no qual aparecem as mais destacadas figuras da Ação Integralista Brasileira e os batalhões de camisas verdes em desfile. O filme foi destruído pelo próprio Matrangola com medo depois que João Groff foi preso!

   Dos vinte e dois filmes sobre a AIB registrados, apenas sete ainda existem. Fritz Rummert Jr., juntamente com João Holl fizeram 20 cinejornais para a Sigma Filmes, que eram reunidos em 3 filmes, todos perdidos.

  João Groff era o editor da revista Ilustração Paranaense, porta-voz do paranismo, movimento que adotou a Anta do Movimento Verde-Amarelista para sua simbologia. Sua obra mais famosa foi certamente “Pátria Redimida”, em que exaltava a Revolução de 1930 com a chegada de Getúlio Vargas ao poder. Parte das filmagens do “Pátria Redimida” se perdeu. Plínio Salgado, que antes estava presente nas páginas da revista editada por Groff, apareceu também nas filmagens do cinegrafista, restando 3 filmes seus com filmagens da AIB preservados: “Zeppelin em Curitiba”, “Comício Integralista” e “Rumo ao Norte do Paraná”. Por sua colaboração com o Integralismo foi perseguido e preso.

  Alfredo Baumgarten filmou em 1935 o “Primeiro Congresso Meridional Integralista”, um dos poucos filmes que ainda restam alguns trechos. O filme completo com todas as cenas que faltam chamava “A Grande Parada Pliniana”. Algumas filmagens de João Gonçalves Carriço também estão preservadas na Cinemateca Nacional: Cine Jornal Atualidades nº11 (1934), que mostra o chefe integralista Oscar Machado e o pelotão de integralistas; o Cine Jornal Atualidades nº. 36 (1936), que focaliza Plínio Salgado e militantes numa conferência em Juiz de Fora (MG) e Cine Atualidades nº.45 (1936), que mostra integralistas durante as comemorações da Bandeira. Esses filmes sobreviveram ao descaso e a um crime cultural, pois parte deles foi lançado no Rio Paraibuna quando o Estado Novo começou a repressão contra os Integralistas.

  Adhemar Gonzaga começou sua carreira desenhando para as revistas O Tico Tico e O Malho. Fundou em 1930, os estúdios da Cinédia, primeira tentativa de industrializar a produção cinematográfica no país. Produziu mais de 50 filmes dos diretores Humberto Mauro, Gilda de Abreu, Luís de Barros, entre outros. Dirigiu o drama "Barro Humano" (1929) e quatro comédias musicais que inspirariam as chanchadas dos anos 50, com destaque para o clássico "Alô Alô Carnaval" (1936), estrelado por Carmen Miranda e sua irmã Aurora Miranda, onde elas cantam o clássico "Cantoras do Rádio". Em 1937 filmou o encontro entre Integralistas e Getúlio Vargas (material perdido).

  Da mesma forma que Gustavo Barroso foi o escritor que mais escreveu livros no Brasil, o também Integralista, Humberto Mauro, o realizador da animação do Jonjoca, foi o cineasta que mais produziu filmes no país, revelou a atriz e cantora Carmem Miranda e é considerado o “pai” do cinema brasileiro! Nascido em Volta Grande, pequeno lugarejo perto da cidade de Cataguases, Minas Gerais, começou a filmar em 1925, e produziu mais de 400 filmes, entre longas, curtas e documentários, até 1978. A maioria, infelizmente, perdidos... Sua data de falecimento foi no dia 5 de novembro de 1983, aos 86 anos, mesma data em que se comemora o dia Nacional da Cultura, do Cinema Brasileiro e do Radioamador!

  O Brasil também foi pioneiro nos seriados de super-heróis contra monstros, no filme de animação com bonecos “Jonjoca, o Dragãozinho Manso” (1942), de Humberto Mauro, que antecipa o “pai” dos tokusatsus (nome que se dá aos seriados de super-heróis no Japão), o monstro Godzilla, que teve seu primeiro filme somente em 1954 e é considerado o marco inicial do tokusatsu. O Japão começou a produzir seus desenhos-animados, os animes, só em 1947, mais uma vez nós somos pioneiros em relação aos japoneses! Ao contrário dos heróis e monstros japoneses, que são irrascíveis, Jonjoca, o dragão brasileiro, é bem bonzinho. Na história da animação, São Jorge fica com dó do dragão e decide domesticá-lo, deixando-o manso. Maria Terezinha é a sobrinha do São Jorge que passa a passear com o dragão a quem dá o apelido de Jonjoca. Fica evidente a semelhança do São Jorge com os super-heróis japoneses e também com Príncipe Oscar e, da mesma forma que o Príncipe Oscar foi criação do renomado Gustavo Barroso, é ilustre o nome brasileiros por trás do roteiro dessa pioneira animação! Também da Academia Brasileira de Letras, Odylo Costa Filho, (1914-1979) foi o autor da história, e ele certamente teve contato com o “Anell Mágico”, de seu colega acadêmico, Gustavo Barroso! O poeta Odylo sempre se preocupou com as crianças e foi defensor da revisão do sistema de assistência aos menores abandonados, mesmo após seu filho, Odylo Costa Neto, ter sido assassinado por um menor de idade, em 1963. Do seu empenho, nasceu a Fundação Nacional do Bem-Estar do Menor (Funabem), que foi um exemplo no tratamento aos menores infratores, pelo menos quando surgiu.  

  Outra cineasta e atriz Integralista foi Carmen Santos, a mais importante mulher da história do cinema brasileiro! Atriz, dona de estúdio, produtora, roteirista e diretora, Carmen (nascida Maria do Carmo), nasceu em Portugal em 8 de junho de 1904, mas veio para o Brasil em 1912, com oito anos de idade, para viver no Rio de Janeiro. Ela, a mãe, d. Ana Cândida, e a irmã, Juliana, vieram de vez para viver com o pai, João dos Santos Gonçalves, que desembarcara anos antes para preparar o terreno para a vinda da família. Seu primeiro trabalho foi como protagonista do filme  "Urutau" (1919), de William Jansen, atendendo a um anúncio de uma revista em busca de atrizes. Com 15 anos se casa com o industrial Antônio Seabra que passa a bancar toda sua produção cinematográfica. Na década de 1920, Carmen se envolveu com dois projetos: as adaptações de “A Carne”, de Julio Ribeiro (completado muitos anos depois, mas nunca lançado), e “Melle Cinema”, de Benjamim Costallat. Depois de atuar em “Sangue Mineiro” (1929), do futuro Integralista, Humberto Mauro, e “Limite” (1931), de Mário Peixoto, a cineasta iniciou a produção de “Onde a Terra Acaba”, um ambicioso projeto em parceria com Peixoto, que foi finalizado apenas em 1933.

  Carmen foi uma mulher destemida e de forte personalidade e junto com os Integralistas Humberto Mauro e Adhemar Gonzaga, formou uma parceria profissional das mais importantes da história do cinema brasileiro. Carmen galgaria mais um passo impensável para uma mulher da década de 30: a construção de um estúdio de cinema, a “Brasil Vox Film”, em 1934, que no ano seguinte passaria a se chamar “Brasil Vita Filme”, responsável pela produção de inúmeros filmes do cinema silencioso no país e crucial para o desenvolvimento do nosso cinema sonoro. Essa época que mais se envolve com o Integralismo e passa a ser elogiada em todas as publicações Integralistas, quando declara: “No Cinema Brasileiro, eu ficaria profundamente magoada se me dessem o título de ‘estrela’ — eu sou um cérebro que trabalha desabaladamente das oito às 24 horas, que luta pela organização da indústria cinematográfica em nosso país com a máxima sinceridade e, por isso, quase sempre, sozinha... quero é trabalho, produção conscienciosa; é cinema na nossa língua; costumes, ambientes, técnica, tudo brasileiro; absolutamente, essencialmente brasileiro”.

  A Brasil Vita Filme produz vários documentários e também dois longas de Humberto Mauro e estrelados por Carmen: “Favela dos Meus Amores”, em 1935, e “Cidade Mulher”, em 1936. A frente de seu tempo, Carmen dizia que representava: “a mulher moderna, a “sapeca”, na expressão vulgar. Com um fundo de sinceridade e sentimentalismo”.

  Seu maior projeto, e obsessão, foi a realização do filme “Inconfidência Mineira”, que planejou em 1937, mas só concluiu 11 anos depois, em 1948. O filme fracassou e levou Carmen à falência. Carmen Santos morre no dia 24 de setembro de 1952, vítima de câncer, aos 48 anos de idade. De todos os seus filmes, que a maioria pegou fogo (porque será que os documentos culturais importantes nacionais sempre pegam fogo?), de “Inconfidência Mineira”, restam fragmentos, restando ainda inteiros os mudos “Sangue Mineiro” e “Limite”, falado só restou “Argila”, sendo todos indispensáveis para aqueles que desejam ter uma idéia da excelência de sua obra, que marcou pra sempre o cinema brasileiro! Livros para conhecer a história dessa mulher Integralista a frente de seu tempo são: sua autobiografia “17 anos no inferno” e “Carmen Santos – o cinema dos anos 20” (2002), de Ana Pessoa, mas em geral, é somente nas publicações Integralistas da década de 30 que se encontra ainda os resquícios da sua militãncia na Doutrina do Sigma.

  A atriz Janet Chermont é neta do Integralista Vicente Chermont de Miranda, que publicou livros sobre diversos assuntos, por exemplo, a questão agrária em "Estatuto da Lavoura Canavieira e sua interpretação" e "A reforma agrária e a experiência do Estatuto da Lavoura Canavieira"; biologia em "O mal das cadeiras ou a Cysticercose eqüina", "Moléstias que afetam os animais domésticos mormente o gado na ilha de Marajó", "Marajó: estudos sobre seu solo, seus animais e suas plantas"; e na área de Folclore publicou: "Estudos sôbre o Nhêengatú" e "Glossário Paraense – Coleção de vocábulos peculiares à Amazônia e especialmente à Ilha de Marajó". Janet foi a atriz principal de “Manhã Cinzenta”, filme clássico de Olney São Paulo de 1968, quando a neta do Integralista se tornou a musa dos guerrilheiros comunistas (procure meu artigo “Os Protocolos do Jamil" anexo no livro "Super-Heróis Brasileiros da Revolução" para maiores informações sobre esse filme)! Depois disso trabalhou em mais 3 filmes: “Meu Pé de Laranja Lima” (1970), “Relatório de um homem casado” (1974) e “Um Sonho de Vampiros” (1969), que é considerado o 1º filme de vampiros do Brasil!

  Da obra do Integralista baiano Adonias Filho, foram produzidas duas obras-primas do cinema nacional, “Um Anjo Mau” e “O Forte”. “Um Anjo Mau”, dirigido por Roberto Santos em 1971, traz como estrela principal Adriana Pietro, interpretando a sofrida heroína Açucena, que pela força de seu caráter demonstrado durante o filme a elevou ao estandarte de musa Integralista! Já “O Forte” foi dirigido por  Olney São Paulo, em 1972, e é um filme trágico e belo, de forma que a obra de Adonias Filho foi duas vezes levada ao cinema de forma impactante! Enquanto em “Um Anjo Mau” a Açucena é uma heroína que sem perspectivas escolhe a vingança, em “O Forte” há Tibiti, uma mulher dividida entre as promessas do primeiro amor e o marido, interpretada pela bela atriz Sandra Mara. O filme demonstra todo anti-racismo do Integralista Adonias Filho, e inova ao trazer mulheres negras no papel de protagonistas em relações com homens brancos. A trilha-sonora também se destaca, com ótimas canções de Paulo Diniz, Turma da Pesada, Tom Zé, Caetano Veloso e outros.

  Da obra do Integralista paraíbano José Lins do Rego, foram produzidos os filmes "Menino de engenho" (1965) dirigido por Walter Lima Júnior, e "Fogo morto" (1976), dirigido por Marcos Farias.

  Existem pelo menos 3 documentários importantes sobre o Integralismo que foram produzidos para o cinema no século XXI. “Soldados de Deus” é um documentário de Sergio Sanz produzido em 2004 que conta com importantes depoimentos de Miguel Reale, Nilza Perez de Rezende (advogada trabalhista e uma das mulheres mais importante na hierarquia do Integralismo), o editor Gumercindo Rocha Dórea, o poeta Gerardo Melo Mourão, Arcy Lopes Estrella (criador do Centro Cultural Plínio Salgado), Padre Salgado Crispim (afilhado de Plínio salgado), e outros... Apesar de ser um bom documentário, sob o título da imparcialidade, traz entrevistas totalmente desnecessárias com historiadores esquerdistas que reproduzem as mentiras, besteiras e alienações de sempre, mas a presença de muitos Integralistas dando entrevistas garante uma parte do seu conteúdo, ao menos, crível.

  “O Que Bererico Vai Pensar?” apresenta reflexos sobre o Integralismo numa pequena vila no interior de Espírito Santo, o vilarejo de Floresta, na cidade de Cachoeiro do Itapemirim, onde o engajamento político causou o rompimento da amizade entre os dois mais influentes homens da vila, que por suas posições políticas polarizadas se tornam oponentes, levando suas famílias e parte da comunidade junto nessa diferença. Dirigido por Diego Scarparo, em 2012, o filme traz depoimentos de muitos ex-Integralistas e é muito legal ver que até hoje existem Integralistas apaixonados pela Doutrina do Sigma na localidade, até mesmo influenciando os mais novos, jovens descendentes dos velhos camisas-verdes da AIB que se tornaram Integralistas no século XXI, para desespero dos conformistas.

  Já o documentário “Anauê! – O Integralismo e o Nazismo na Região de Blumenau”, de Zeca Pires, de 2017, é o mais tendencioso de todos, a começar pelo titulo que faz questão de associar o Integralismo com o nazismo. Tudo indica que a recente relevância que o Integralismo vem retomando na sociedade brasileira, ainda que tímida, já está incomodando e assustando algumas pessoas, ao ponto de produzirem esse filme justamente na proporção que aumentaram as referências ao Integralismo na mídia em geral. E a grande mídia fará questão de cada vez mais fazer a ligação do Integralismo com o nazismo com o intuito de impedir o renascimento da Doutrina do Sigma! Isso pode se tornar um tiro no pé deles próprios porque essa mentira tem a perna muito curta. O Integralismo é original, não é fascista e combateu o nazismo, ainda que a maioria dos Integralistas tenha alguma simpatia a determinados aspectos positivos tanto do fascismo quanto do nacional-socialismo, mas as diferenças sempre foram determinantes para que nunca ocorresse uma fusão entre os movimentos. Eram nacionalismos que se colidiam! O filme “Anauê” nem se esforça para incutir na cabeça de quem assiste que Integralismo e nazismo são a mesma coisa, confiam absolutamente estarem lidando com a maioria lobotomizada pela mídia e pela escola, sabem que existem os que ficarão contra o filme, mas não estão preparados para a nova comsovisão Linearissta e muito menos para o que o Integralismo se tornará quando estiver totalmente associado com esse conceito revolucionário. Eles vão ficar repetindo mentiras que há muito foram desmentidas, mas terão que ser desmentidas de novo, de novo e de novo, se nescessário for. E a verdade uma hora prevalece pra quem não for cego para enxergar a Luz. O sistema teme o Integralismo e antecipa-se perante a re-organização do movimento, que a cada dia se torna mais viável, pois a Marcha Verde é inevitável e será inexorável!

  Existe um documenário mentiroso e canalha, chamado "Menino 23" (2016), que inventa que a família Rocha Miranda, tão famosos que são até nome de um bairro e uma estação de trem do Rio de Janeiro, eram nazistas e faz de tudo para acusar o Integralismo de racista! E um argumento usado é que a fazenda era decorada com suásticas em alguns pontos, os tijolos da construção das casas tinham suásticas e o emblema do time de futebol dos meninos da Fazenda Cruzeiro do Sul tinha por simbolo a suástica. Aliás, importane destacar que todos os meninos que aparecem nas fotos com a camisa do tal "time nazista" são fortes e cheios de saúde! A suástica fazia parte da flâmula do time, mas qual o problema nisso? Ela não era proibida na ocasião. Essa fazenda foi construída numa época em que o nazismo não era proibido e podem muito bem ter comprado tijolos que eram produzidos por algum alemão. Até o símbolo dos postos Shell era uma suástica na época! A revista infatil brasileira O Tico Tico, em 1936, ensinava para as crianças que a suástica é um símbolo milenar e usado no mundo todo com aspectos religiosos enquanto sendo sinal de sorte, saúde e proteção. Esse era o conceito geral da suástica na época. Julgar que os Rocha Miranda eram racistas por usar a suática em sua fazenda e time de futebol foge do contexto da época, em que o próprio líder do movimento negro no país, Arlindo Veiga dos Santos, presidente da Frente Negra Brasileira, declarava sua admiração por Adolph Hitler!

  Já têm um contra-documentário que desmente o outro e prova que os Rocha Miranda eram boníssimos e queridos por todos os meninos que criavam, os resgatando de reformatórios insalubres do Rio de Janeiro, lhes dando uma vida digna no interior. Toda essa reportagem se baseia na denúncia de um único desses meninos, o tal "23", que hoje em dia é um idoso bebum e pelo que outras fontes relatam sempre foi rebelde, brigão e muito violento. Dos meninos que se deram bem na vida e constituíram família e são agradecidos aos Rocha Miranda até hoje, desses eles não comentam. Os irmãos Otávio, Osvaldo e Renato Rocha Miranda eram Integralistas respeitados e que ajudavam meninos abandonados de abrigos, lhes dando casa, comida, educação, lazer, esportes e uma direção na vida, sendo que muitos ainda são moradores da região, e até os seus filhos e netos são agradecidos aos Rocha Miranda!

  Essa associação do Integralismo com o Nazismo no sul do país já tinha sido abordada em “Aleluia, Gretchen”, filme de 1976 dirigido por Sylvio Back, filho de imigrantes – pai judeu húngaro e mãe alemã – que construiu sua obra em cima da sua visão esquerdista e judaizada da história nacional. Sempre com uma visão deturpada sobre o Integralismo, ou no mínimo caricata, personagens Integralistas já apareceram diversas vezes em obras do cinema nacional, entre elas “Tudo Bem”, de Arnaldo Jabor (1978), “Memórias do Cárcere”, de Nelson Pereira dos Santos (1984), “A ópera do malandro” da obra de Chico Buarque com direção de Ruy Guerra (1985), "O País dos Tenentes", de João Batista de Andrade (1987) e “Garotas do ABC”, de Carlos Reichenbach (2004).

   Em 2011 foi divulgado que o renomado cineasta Roberto Faria faria um filme com grandes estrelas do cinema e da televisão brasileira inspirado no romance “Anauê”, de José Marcelo Grillo, que narra toda a saga do Integralismo em Floresta, mas Roberto Faria faleceu antes da realização do filme, infelizmente. José Marcelo Grillo, autor capixaba, escreveu “Anauê! A apaixonante saga integralista numa colônia de imigrantes italianos” no ano de 2001. O livro é um romance que aborda o movimento integralista em Floresta, hoje Burarama (ES). Uma paixão proibida entre um membro da elite local, casado, líder do Partido Social Democrático (PSD) na região, e uma jovem simpática ao movimento Integralista é utilizada pelo autor para contar a experiência Integralista de Floresta. Os dois imigrantes italianos vêem o vínculo de amizade que os unia se esfacelar pela opção político-ideológica: Giordano Berllone, o antiintegralista; Gardini, o Integralista fervoroso. A jovem Giovanna entra na história como uma fagulha a triscar no pavio do coração do nem tão jovem Giordano. Casado e bem-sucedido, Berllone veria sua vida mudar com a paixão avassaladora pela bela e jovem Integralista Giovanna Manzzani. Só que naquela época as convenções tinham importância e a diferença de idade era um problema menor do que o fato de Giordano ser casado... Um amor proibido marcado pela ascensão do Integralismo. Num grande esforço de reportagem, Grillo entrevistou dezenas de pessoas que viveram os fatos ocorridos nas décadas de 1930 a 1950. Colheu histórias reais e, na impossibilidade de fazer um romance histórico, devido ao desconforto que o assunto até hoje causa nas várias personagens vivas, algumas membros de sua família, recorreu ao romance de ficção. Alterou nomes verdadeiros, ficcionou trechos para intercalar capítulos verídicos, costurou uma linha dramática sem se prender necessariamente à realidade, mas grande parte da história, inclusive o amor proibido, foi real, e esperamos que a história chegue ao cinema em uma super-produção conforme estava previsto.

  “Rasga Coração” é uma peça de teatro que Oduvaldo Vianna Filho começou a escrever em 1971 e só a concluiu em 1974, e foi levada ao cinema em 2018. E entre todas as obras citadas que mostram o Integralismo por via da ficção, essa também é a que melhor retrata os Integralistas. Passada nos anos 70 mostra que no passado Manguari foi preso e torturado, no “período das catacumbas”, quando os Integralistas começaram a ser perseguidos pela ditadura que Getúlio Vargas impôs ao país a partir de 10 de novembro de 1937. A obra de Oduvaldo Vianna não caiu no lugar comum de ficar associando o Integralismo com fascismo e nazismo, o foco da peça é o conflito de gerações entre pai e filho, Manguari Pistolão e Luca. O agora sisudo Custódio Manhaes Jr. não aceita o jeito do filho, um jovem rebelde que usa cabelos compridos, fuma maconha e namora Milena, que defende a luta armada contra o regime militar. O que a peça mostra é que na sua juventude, em seus tempos de Integralista, o Sr. Custódio era chamado de Manguari Pistolão e era tão rebelde quanto o filho na luta contra o Estado Novo, ou seja, haviam mais semelhanças entre eles do que diferenças propriamente ditas.

  A ótima novela de época da TV Manchete, “Kananga do Japão” (1989) e a mais recente “Jóia Rara”, da TV Globo (2013), tiveram personagens Integralistas que, o que é normal de se esperar em se tratando de produções da grande mídia, é claro, eram os vilões da trama.

  Uma das maiores novelistas do país, a excelente autora Glória Perez,— mãe da atriz e bailarina assassinada em 28 de dezembro de 1992, Daniella Perez, que teve sua estréia na TV em 'Kananga no Japão'—, é filha do escritor e jurista Integralista, Miguel Jeronymo Ferrante, autor de diversas obras, entre elas o clássico da literatura amazônica, "Seringal" (1972).

  "Gustavo Barroso, o criador do Príncipe Oscar, o 1o super-herói do mundo" (Rod Tigre/ 2020) é um documentário que revela a pouco discutida questão de Gustavo Barroso ter criado, ainda na adolescência quando trabalhava para a revista infantil "O Tico-Tico", no ano de 1908, aquele que é, comprovadamente através das datas que provam, o 1o super-herói das Histórias em Quadrinhos do mundo!

  O Doutrinador surgiu nas Histórias em Quadrinhos em 2008, criado por Luciano Cunha, como um herói "de esquerda". Algumas fontes (ligadas a associação Quadrinhistas Antifascistas) afirmam que o autor se influenciou pelo revival Integralista que surgiu após a onda de protestos de 2013, e tornou o Doutrinador um policial, que após sua filha falecer devido ao descaso com a saúde por parte dos governantes responsáveis, leva a Doutrina Integralista as últimas consequências e passa a se mascarar e assinar os políticos corruptos! O personagem é querido do ex-ministro da cultura do presdiente Jair Bolsonaro, Roberto Alvin, demitido por ser fã de Joseph Goebbels. Chegou aos cinemas em 2018 e teve um seriado de TV em 2019. O documentário "Fauzi Herói" (2020), do canal Homem Integral, mostra um herói Integralista da vida real, o carioca Eduardo Fauzi, que divulgou a Doutrina do Sigma nos principais jornais brasileiros e pelo mundo todo, e hoje, perseguido, é um exilado político em pleno século XXI!

  O MIL-B, Movimento Integralista e Linearista Brasileiro, produziu, também para o Canal Homem-Integral, o documentário "A HISTÓRIA SECRETA DA AÇÃO INTEGRALISTA BRASILEIRA DOS ANOS 80 ATÉ OS DIAS DE HOJE" dividido em 4 partes que mostra toda trajetória do Integralismo a partir dos anos 1980 até a chegada do MIL-B e outras organizações atuais como a AIR (Ação Integralista Revolucionária), a FIB e a ACCALE. É a 1a vez que um documentário sobre o Integralismo é produzido por Integralistas, ou seja, sem distorções da visão predominante que sempre o coloca na mesma gavetinha da estante do lugar-comum: Integralismo é fascismo!

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