Glauber Rocha foi um cineasta Integralista, e um dos maiores pensadores
brasileiros! Pra quem ainda não têm certeza de que ele era Integralista, já que
são poucas as referências sobe o assunto, a maior prova é que foi ele mesmo que
disse: “Entrei para o Centro de Estudos Pensamento e Ação, aparelho
Integralista baiano dos jovens Águias-Brancas.” O Águia Branca, Germano
Machado, explicou de que forma Glauber Rocha se afastou do Integralismo na
juventude: “Glauber foi se afastando... aproximando-se de professores que
esquerdizaram a cabeça dele, de certos jornais e de certos amigos, sem perder
com isso o nacionalismo, e sem nunca se ter tornado um comunista. Glauber foi
circunstancialmente um esquerdista, mas, na verdade, ele era um socialista
humanista, um idealista, um apaixonado pela terra, pelo sertão.” Germano
Machado quem deu para Glauber seu primeiro emprego, de locutor em um programa
de rádio sobre cinema, “Cinema em Close-Up”, nome depois aproveitado por Minami
Keizi na revista sobre cinema nacional que editou nos anos 70. Mais uma vez
assumindo seu passado no Integralismo, Glauber foi o primeiro a usar o termo
neo-Integralismo: “Conhecera o líder neo-integralista Germano Machado e, tendo
participado do Círculo de Estudos Pensamento e Ação, ganhei o programa de rádio
na Excelsior: Cinema em Close-up.”
O fato é que Glauber era tão culto quanto qualquer outro grande nome do
Integralismo, tinha tanto conteúdo quanto os letrados mestres da AIB:
“Filosofia, sim, estou lendo. Schopenhauer (Dores do mundo), Nietzsche (Assim
falava Zaratustra), além de pequenos comentários de Bacon, Platão, Aristóteles,
Sócrates, Spinoza, Voltaire e muitos outros. Filosofia faz-nos pensar melhor
acerca do mundo e dos homens. Porém, como te dizer que nunca seguirei o ponto de
vista deste ou daquele? Nunca serei superior como Nietzsche, pessimista como
Schopenhauer ou cínico como Voltaire, isto não. Pode ficar certo que procurarei
seguir minha própria filosofia”. Foi perseguido pela patrulha ideológica de
esquerda: “sentia-me pressionado pelos comunistas”. Contou que seu rompimento
com o comunismo se deu justamente em Cuba, quando teve contatos com outros
comunistas, inclusive Gabeira, que queria que Glauber entrasse em uma missão
armada suicida porque os comunistas consideravam que ele valia mais morto, na
condição de mártir. Não é de hoje que arrumam qualquer pretexto pra eliminar os
seres mais pensantes! Curiosamente, foi em Havana que Glauber leu “Geopolítica
do Brasil”, do general Golbery, e segundo contou: “percebi que havia uma
questão lingüística: o que ali figurava como anticomunista não era uma critica
ao socialismo, mas ao modelo soviético. E mais: existia ali dentro um projeto
de Brasil terceiro-mundista. Era uma carta de navegação para o futuro. General
Goubery era um Gênio da Raça e os militares, legítimos representantes do povo.
Para surpresa geral li, entendi e acho general Goubery um gênio, o mais alto
pensar da Raça ao lado do prof. Darcy”. Darcy Ribeiro é considerado um dos
maiores ideólogos de uma alternativa para o Brasil socialista e nacionalista, e
mesmo com uma postura critica, sempre foi atraído pelo movimento Integralista,
chegando a ser convidado para fazer parte nos anos 40, quando o Integralismo
estava enfraquecido. Após um certo conflito interno, Darcy optou pelo
trabalhismo, levantando a bandeira do populismo através do getulismo,
prestismo, janismo, janguismo e depois, brizolismo: “O movimento Integralista é
o primeiro que formula uma política claramente nacionalista, uma política para
se contrapor aos interesses da Inglaterra. Na década de 30, na minha opinião,
foi muito difícil resistir ao integralismo, que tinha um discurso muito bom.
Tanto que foi capaz de atrair homens como D. Hélder Câmara, San Tiago Dantas,
Alceu Amoroso Lima e Gerardo de Melo Mourão... Atrairia também
irresistivelmente uma parcela da intelectualidade em razão de seu discurso
nacionalista e anti-imperialista. Melhor que o das esquerdas.” Apesar de seu
inegável nacionalismo, a influência da visão que Darcy deixa sobre a História do
Brasil é em geral muito negativa. Ele é o “pai” do “vitimismo”, “coitadismo” e
do maniqueísmo que é o que impera atualmente no estudo de nossa História: para
Darcy, os índios e negros sempre são “bonzinhos”, praticamente os próprios
“ursinhos carinhosos”, e os brancos são sempre malvados, exploradores e
estupradores, e simplesmente nunca comenta um "a" da questão judaica.
Trata-se de um historiador que deve ser lido com toda ressalva e que quase
nunca traz fontes confiáveis dos dados exagerados que apresenta, mas que uma
vez ou outra, se aproveita alguma coisa.
Após aderir ao governo revolucionário mlitar, Glauber Rocha desenvolveu
em diversos artigos o que chamou de do Brazylianismo, em que pregava um
nacionalismo militarista, seguindo as idéias
do general Integralista, Albuquerque
Lima, do general Golbery Silva e do ministro Eduardo Portella, que era um dos
principais ideólogos da parte cultural do regime, e seu livro "Vanguarda e
Cultura de Massa", de 1978, é mais uma prova de que não eram ignorantes
alguns dos homens que estavam por trás daquele periodo, as vias de se tornar
mítico, da História Brasileira.
Albuquerque Lima pretendia ser o presidente do Brasil, e seguia
abertamente o exemplo do presidente do Peru, o general Juan Velasco Alvarado,
que através de um golpe de estado, em 1968, iniciou um governo nacionalista que
expropriou as companhias petroleiras estadunidenses que operavam no país e
realizou uma reforma agrária, seu lema era “nem com o capitalismo nem com o
socialismo”, sendo deposto por um contra-golpe em 1975. Albuquerque foi o
idealizador do Projeto Rondon, em colaboração com o Ministério da Educação,
visando levar estudantes universitários às zonas fronteiriças da Amazônia e
incorporá-los à chamada política de integração nacional. Albuquerque criou um
lema Integralista para o governo militar: “INTEGRAR PARA NÃO ENTREGAR”! Perdeu
a eleição indireta para o presidente Médici, também de viés Integralista.
Glauber Rocha também se dizia influenciado pelas idéias do Líder Fraternal e
Guia da Revolução da Líbia, Muamar AL-Gaddafi, que governou a Líbia de 1 de
setembro de 1969, até ser morto por um golpe em 20 de outubro de 2011. Gadaffi
foi o criador da “Terceira Teoria Internacional”, explicada em seu “Livro
Verde”, publicado em 1975, onde encoraja a instituição de uma democracia
direta. Glauber via numa elite militar esclarecida uma possibilidade de virada
política radical, e que o militarismo revolucionário poderia realizar todas as
mudanças que as esquerdas não souberam fazer dominada pelos seus agiotas
banqueiros. Para Glauber: “entre a burguesia nacional/internacional (judeus) e
o militarismo nacionalista, eu fico, sem outra possibilidade de papo, com o
segundo... Geisel tem tudo na mão para fazer do Brasil um país forte, justo,
livre. Estou certo inclusive que os militares são legítimos representantes do
povo. Chegou a hora de reconhecer sem mistificações, moralismos bobocas, a
evidência: Costa era quente, fria eram as consciências em transe que não viram
pintar as contradições no espelho da história. Em 68 eu era alberquista (seguia
o general nacionalista Albuquerque Lima) e Antonio das Mortes é o profeta de
Alvarado e Gaddafi”.
O seu último filme foi “A Idade da Terra” (1980), que os esquerdistas
deturpam todo sentido do filme sempre quando escrevem sobre ele em diversas
matérias, já que no filme, Glauber EXALTA a Revolução de 1964 como sendo uma
autêntica revolução nacionalista, e os esquerdistas fazem tudo quanto é tipo de
manobra argumentativa para negar que Glauber era um apoiador convicto do regime
militar, pois a esquerda se aproveita de determinados nomes para fazer
associação com suas organizações visando certo respaldo intelectual se
apropriando de vultos populares, vide Antônio Conselheiro, Zumbi dos Palmares,
João Cândido, Pagú, Vinícius de Moraes, Geraldo Vandré, Raul Seixas, etc,
nenhum deles era comunista , mas a esquerda iniste em se apropriar de suas
lutas! E de nada adianta Glauber ter afirmado ser um Integralista e
pró-Revolução Militar, tanto os nacionalistas o ignoraram que nessa brecha se
tornou, a contragosto, um brinde que a esquerda tomou para si, um troféu.
Glauber morreu de uma misteriosa doença em 22 de agosto de 1981. Para os amigos
próximos, confessou que desconfiava ter sido envenenado depois que se encontrou
com o presidente Figueiredo e declarou que entraria para a política.
Para certos esquerdistas, o apoio explicito que Glauber deu ao Geisel no
filme, mostrando uma entrevista com o jornalista Carlos Castello Branco que
descreve a trajetória do regime militar até aquele momento de abertura iniciado
por Geisel, foi inserida no filme pois Glauber queria agradar os militares por
pragmatismo. Que Glauber queria agradar o governo revolucionário é uma certeza,
mas por admiração verdadeira, não pelos motivos que a esquerda diz, como se
Glauber fosse uma espécie de prostituta que “sugava as bolas” dos militares
para conseguir algum tipo de favor depois. Ora, será que quem diz isso não tem
vergonha na cara? Duvidar do caráter do Glauber é um reflexo de pessoas oportunistas
que só enxergam aquilo que são. Glauber Rocha era uma ARTISTA, um PROFETA,
daqui a 100 anos ainda vão assistir e comentar os filmes dele, ele NUNCA fez
NADA para conseguir favores pragmáticos, ou teria ido dirigir filme dos
“Trapalhões”. E rechaçou essa desconfiança de que ele estaria defendendo os
militares por interesses escusos: “Eu nunca fiz acordo com o sistema. As minhas
relações com o governo do Geisel não têm nada a ver com a minha profissão de
cineasta, é uma reflexão política minha, no sentido poético, que tenho direito
de ter. Assumo a responsabilidade por isso, não aceito repressão de nenhum
nível... fechei com o Geisel em 74, numa entrevista que eu dei pra revista
Visão, e muita gente foi fechar depois. Na época me chamaram de louco, começou
a queimação aí. Eu refleti no exílio que a solução militar pro Brasil não era a
pior, que a pior era a democrática capitalista, porque esta era corrupta... Ele
(Geisel) não permitiria dissidências. O significado do projeto de aberturas,
que eu entendi em 74 e resolvi fechar com Geisel, dar apoio total, confiar
realmente no Geisel como um navegador que sabia exatamente pra onde conduzir o
Brasil”. Em 1978, Glauber foi ainda mais
direto na defesa da legitimidade da Revolução Redentora de 1964: “O Jango levou
o Brasil à subversão total, então ganhou o grupo mais forte. Esse grupo mais
forte no momento, você vai discutir se era fascista, se era comunista. Acontece
o seguinte: implantou-se a supremacia do Exército que preservava a unidade da
Nação, que está acima da luta de classes”.
Sobre Glauber e o cinema novo, o general Golbery revelou: “esses rapazes
do Cinema Novo são todos integralistas e não sabem! Só mandam para cá
documentos falando do Brasil grande, que não sei o quê.” Glauber, pelo menos,
sabia, o que fica claro na sua definação sobre o que o Cinema Novo era: “Onde
houver um cineasta disposto a filmar a verdade e a enfrentar os padrões
hipócritas e policialescos da censura intelectual, aí haverá um germe vivo do
Cinema Novo. Onde houver um cineasta disposto a enfrentar o comercialismo, a
exploração, a pornografia, o tecnicismo, aí haverá um germe do Cinema Novo.
Onde houver um cineasta de qualquer idade ou de qualquer procedência, pronto a
pôr seu cinema e sua profissão a serviço das causas importantes de seu tempo,
aí haverá um germe do Cinema Novo”.
Glauber queria agradar a ele mesmo em consideração a sua própria
consciência e a honra de seu compromisso nacionalista, pois ele disse que
buscava na arte a Integração Cósmica, em mais uma declaração que revela sua fé
no Integralismo: “A mudança de muitas condições políticas e mentais exige um
desenvolvimento continuo do conceito de arte-revolucionária, uma obra de arte
revolucionária atua não só de modo imediatamente político como também promove a
especulação filosófica, criando uma estética do eterno movimento humano rumo a
sua Integração Cósmica”.
Quem se divide em esquerda ou direita não consegue entender Glauber, por
isso ele é um incompreendido pelos dualistas, a direita não o aceita, porque
ele em muitos sentidos é "de esquerda", por seu amor aos pobres e aos
marginais, e por sua defesa da maconha, que se sentia tão a vontade no seu
direito de fumar que dizem que acendia seus cigarros sem constrangimento onde
quer que fosse, e costumava oferecer baforadas até para autoridades! Com a
recusa de Glauber nos meios da "direita conservadora", a esquerda
aproveita e assim o deturpa para encaixá-lo na gavetinha de seus
criados-mudos... A única maneira de entender a obra glauberiana com plenitude é
interpretá-la sob o olhar Integralista Moderno! Irritam-me esses comentaristas
de internet, tanto de esquerda quanto de direita, quando por algum motivo
querem elogiar uma figura do espectro político oposto ao que defendem, quando
um homem de esquerda tem simpatia por alguma obra de um homem de direita, e
vice-versa, eles costumam dizer que “fulano era bom nisso, mas se enganou
naquilo”. Aí você vai ver e esse crítico é alguém que nunca publicou um
opúsculo sequer e que nunca realizou nada de concreto, que seus grandes
“trabalhos” são blogues e páginas da internet. Essas pessoas não enxergam que
não tem moral para criticar ninguém com uma obra sólida? Isso vale até para os
meus críticos, falar até papagaio fala, tentem me superar se não concordam com
o que eu escrevo, que até esse momento estou com 17 livros publicados, alguns
com mais de 500 páginas! Ou então no caso do presidente do nosso movimento,
Cássio Guilherme, que também já conta com uma vasta obra reformando o legado
Integralista para o século XXI, e algumas
vezes é criticado por garotos que nem mesmo sairam do colegial e acham que
entendem alguma coisa de Integralismo porque leram "na página tal",
ou em determinada "comunidade" da rede social que eles seguem.... A
geração "meme" vai ter que comer muito feijão com arroz para se
tornarem Integralistas de verdade, ou melhor, lerem muito Plínio Salgado! E ler
somente o Plínio de nada vai adiantar nos dias de hoje, pois rumamos pra meio
século de sua ausência e muitas questões que surgiram não tinham vindo á tona
na época que o Chefe estava em atividade. Não tenha dúvidas que nós, do MIL-B,
estamos preparados para levantar a egrégora do Integralismo no século XXI em
todos os seus aspectos, e vamos fazer isso a maneira que os Integralistas
antigos fizeram: publicando nossos livros para que o movimento tenha uma base
firme pra se pautar!!
A Idade da Terra é o clássico profético de Glauber Rocha, inspirado nos
4 Processos de Jung e nos 4K de Jorge Mautner, a sua influência
pós-tropicalista. A Idade da Terra traz a interpretação glauberiana dos 4
Cristos, ou na linguagem do brazylianismo (movimento criado por ele),
“Kryztos”: “O filme mostra um Cristo-pescador, interpretado pelo Jece Valadão,
um Cristo - negro interpretado por Antonio Pitanga; mostra o Cristo que é um
conquistador português, Dom Sebastião interpretado por Tarcísio Meira e mostra
o Cristo Guerreiro-Ogum de Lampião, interpretado por Geraldo Del Rey. Quer
dizer os quatro Cavaleiros do apocalipse que ressuscitam o Cristo do terceiro
mundo, recontando o mito através dos quatro evangelistas: Mateus, Marcos, Lucas
e João, cuja identidade é revelada no filme quase como se fosse um terceiro
testamento. E o filme assume um tom profético, realmente bíblico e religioso”.
Numa carta a Celso Amorim, Glauber previu que só seria compreendido a partir do
ano 2000. É chegada a hora do entendimento: Glauber foi o maior Integralista de
seu tempo! Ou seja, Glauber sabia que a posterioridade brasileira nacionalista
e revolucionária irá descobrir o valor nacionalista de Geisel e Figueiredo e
finalmente ele será aceito como o que é: um diretor de cinema Integralista!
Dentre os 4 Kryztos, Tarcísio Meira é quem corporifica o militarismo
salvacionista ao qual Glauber Rocha se alinhou, no início da década de 70,
quando declarava sua inspiração no nacionalismo militar dos generais Alvarado
(Peru) e o Integralista, Albuquerque Lima (Brasil). E depois Geisel e
Figueiredo. É o Kryzto Militar de Glauber, que saúda o povo em pleno carnaval
com o gesto “anauê”, quem demonstra seu desespero ante a esquerda brasileira
castradora da imaginação e da investigação, e revela o apoio de Glauber aos
princípios que nortearam a Revolução de 1964: “As nossas estruturas, nossos
alicerces foram destruídos. A qualquer momento poderemos ser tragados num
abismo. Nós estamos condenados! Houve uma implosão no centro da Terra. Os
nossos alicerces foram destruídos”.
ACAUÃ é o pássaro da eternidade que Glauber Rocha clama em Idade da
Terra. A neta de Integralista, Norma Bengel, se movimenta em um ritual filmado,
nua, invocando o pássaro. No carnaval, a resistência eterna do Anauê, o Império
Mágico de São Sebastião (o Touro Encantado da Ilha de Lençóis, no Maranhão),
revelando a miscigenação também das práticas religiosas, as magia afro,
ameríndia e européia, cristianizadas no culto ao rei português divinizado.
Glauber louva a Revolução de 1964, explica que ela se torna nacionalista
a partir de Costa e Silva, ao contrário de muitos que passaram a condenar a
Revolução Militar justamente a partir dele. Através de uma entrevista com
Carlos Castello Branco, que dá uma aula sobre a Revolução Militar, sabemos que
Costa Silva iniciou medidas nacionalistas que foram gradualmente aumentando
culminado no governo Geisel, considerado o governo que promoveu a virada do regime
militar rumo a uma política econômica nacionalista e independente (inclusive
foi nessa época que o Brasil votou junto com os países de esquerda e árabes
numa audiência da ONU que indicou que o sionismo é uma forma de racismo,
decisão revogada pelo prseidente Collor), garantiu maior liberdade de
expressão, o que causou a proliferação de jornais esquerdistas por todo o país,
e iniciou o processo da anistia para os recentes crimes políticos, que libertou
os comunistas presos e permitiu a volta dos exilados (mesmo aqueles que tinham
cometido assassinatos, e por isso, Geisel chegou até a ser acusado de
comunista, no livro “Ideais Traídos”, do seu ex-ministro de exército, Sylvio
Frota). Médici também é exaltado no filme por sua sinceridade e capacidade de realização.
Glauber denúncia a pirâmide de poder illuminati, que escraviza o povo
brasileiro e as nações pobres, explica que capitalismo e comunismo são a mesma
coisa. Pede a estatização e liberdade de expressão e religiosa absoluta!
Revela que existem movimentos nacionalistas latentes nas Américas
Latinas, África e Ásia.
A Rainha Aurora Madalena (interpretada pela atriz e diretora de cinema
Ana Maria Magalhães), representa a América no filme, como uma espécie de
Pombagira pagã e santa, a prostituta sagrada do Brasil, cabocla que tudo dá e
dá de tudo, para aquele que for o mais forte e tomá-la. E com a União dos 4
Kryztos brasileiros, Glauber indica o caminho de libertação do Brasil e
conquista da América, e o caminho de libertação continua sendo o Integralismo:
a União do Povo Brasileiro, o índio; o negro; a esquerda; a direita; o pobre; o
rico; o militar; o marginal... Nos 4 Kryztos de Glauber estão todos os
arquétipos do Homem brasileiro real, o homem brasileiro que é acima de tudo uma
contradição, um forte, quase um semi-deus, em alguns pontos, e um humano fraco
e medíocre, em tantos outros. Mas Glauber acredita que quando existir essa
união a partir da vitótia do Kryzto militar, o menos corruptível segundo a
visão do filme, a sua força será invencível e a prostituta sagrada será domada,
mostrando que o futuro do Brasil não é só comandar o território do Brasil, mas
a própria América como um todo!
Glauber discursa no final do filme, denuncia de forma literal os
segredos de poder da pirâmide illuminati, o passado milenar do Brasil, a
uniformidade das religiões, o amor de Cristo fora das instituições católicas e
protestantes. É um discurso INTEGRALISTA em que pede a INTER-democracia, uma
democracia nova desprovida de qualquer ideologia e que irá surgir no Brasil!
Glauber, além de se declarar abertamente Integralista em diversas
ocasiões (em uma deles usou o termo “neo-Integralista” pela 1ª vez), além de
Germano Machado, que foi o escritor baiano que o apresentou ao Integralismo,
dizia que sua maior influência vinha de outro escritor Integralista, José Lins
do Rego!
Glauber Rocha era considerado um profeta pelas pessoas próximas, que
declararam que várias previsões suas se mostraram acertadas, inclusive a idade
de sua morte. Era um seguidor do candomblé e da vidente Tia Neiva, fundadora do
Vale do Amanhecer. E dizia sobre “A Idade da Terra”: “Meu Cristo não morre, não
vai crucificado”, mesma conclusão do linearismo, que aboliu a cruz templária de
toda sua simbologia!
Os cineastas e companheiros de Glauber Rocha no cinema novo Eduardo
Escorel e Lauro Escorel Filho são filhos do Integralista Lauro Escorel,
embaixador e escritor, autor da obra “Introdução ao pensamento político de
Maquiavel”, publicada em 1958. Casado com a judia e esquerdista Sarah Escorel de
Morais, a relação dos dois era uma espécie de Romeu e Julieta da época e foi
até alvo de uma matéria na revista “Clima”, conclamando que as pessoas
deixassem de brigar por causa de ideologia seguindo o exemplo do casal Lauro e
Sarah que seguiam movimentos opostos, mas se amavam muito, segundo seu filho
Eduardo, que por influência do pai, mantinha uma certa simpatia pelo
Integralismo, apesar de ser esquerda, como sua mãe. Lauro Escorel ingressou na
carreira diplomática por concurso em 1943 e foi promovido a ministro de
primeira classe em 1968. Enquanto embaixador, serviu na Bolívia, Paraguai,
Dinamarca, México e Espanha. Crítico literário desde a juventude, colaborou em
diversas publicações, entre elas, Correio da Manhã, O Estado de S. Paulo, A
Manhã e o Suplemento Literário do jornal O Estado de S. Paulo. Foi um dos
maiores combatentes da ditadura do Estado Novo.
Resumindo a situação do cinema brasileiro perante a hegemonia do cinema
norte-americano controlado pelos judeus, Glauber Rocha traçou um panorama o que
não só continua atual, como a situação ainda piorou de maneira drástica: “A
tradição do cinema americano, representante de uma nação eminentemente
colonialista e de uma cultura de bases em preconceitos religiosos e raciais, é
ridicularizar todos os movimentos de liberdade que brotem em terras do norte ou
do sul; do leste ou do oeste que fiquem além de suas fronteiras. Todos os
movimentos pró-liberdade dos países sul-americanos receberam tratamento de
circo, onde um palhaço americano caracterizado por qualquer Alan Ladd, esmurra
e metralha latinos “passionais e nervosos”, segundo muito bem claro deixam os
diretores no final dos respectivos filmes. Por fim, é fato bem conhecido do
público que, toda vez que um cineasta tenta fazer uma coisa séria sobre o
assunto tão sagrado para o país da propalada democracia é banido e tem os
filmes mutilados”.
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