A Profecia de Cimbres por Eduardo Fauzi
A "Profecia de Cimbres" refere-se às aparições marianas ocorridas em 1936 e 1937 no distrito de Cimbres, município de Pesqueira (PE), onde Nossa Senhora teria aparecido a duas adolescentes, as videntes Maria da Luz e Adélia e Maria da Conceição.
Essas aparições foram investigadas rigorosamente pelo padre Joseph Kehrle. Tiveram aprovação diocesana e possuem profunda ligação com o Integralismo Brasileiro.
A ligação principal está nas mensagens atribuídas a Nossa Senhora, que, explicitamente, apoiaram os objetivos do Integralismo Brasileiro, como sendo um movimento de defesa da Igreja e da nação, contra o comunismo e seus males.
Quando questionada pelo Pe. Kehrle, através das videntes, se era lícito ajudar ou se vincular ao Integralismo, a Virgem teria respondido: “Sim, se quiseres”.
Diante da insistência do Padre, sobre se o movimento e a doutrina integralista trariam prejuízo ou ruína à Igreja e ao Brasil, Maria Santíssima teria dito: “Filho, não temas, que daí nada virá de mal contra você”, e ainda “Filho, não tenha medo do Integralismo”
Essas afirmações vêm sendo interpretadas por integralistas e católicos conservadores como um aval celestial à doutrina, que se apresentava como anticomunista, antiliberal, nacionalista, cristã (com forte inspiração católica) e defensora de uma ordem social hierárquica e pautada nos valores e na moralidade cristã.
Dom Rafael Maria Francisco da Silva e outros autores destacam que Nossa Senhora teria permitido, em Cimbres, o apoio ao Integralismo por seus elementos positivos, mas especificamente por combater o comunismo.
As aparições também alertaram sobre os perigos do “flagelo do comunismo”, que penetraria no fundo do Brasil, com alto risco de derramamento extenso de sangue e, especialmente, três castigos, que nos abateriam se o povo não fizesse oração e penitência.
Isso alinhava-se perfeitamente à retórica integralista da época, 1937, que via o comunismo como a principal ameaça à coesão nacional e à salvação ds almas.
A Profecia de Cimbres foi usada como legitimação espiritual pelos adeptos da Filosofia Moral e Doutrina Política do Integralismo Brasileiro, desde então e até hoje. E muito depois de o movimento ter acabado, segue reforçando sua identidade como defesa teórica cristã e católica do Brasil contra o comunismo em solo nacional.
É um dos elementos místicos mais citados na tradição integralista brasileira.

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