O Salto da Onça Celeste: Ressonância da Profecia por Reynaldo Mattar
Nas terras onde a selva ruge em prece,
Onde o verde é o sangue da criação,
Esconde-se, na sombra que não fenece,
A Onça Celeste, azul como a amplidão.
Não é fera de osso e carne mortal,
Mas um ser primordial, puro e sagrado,
Aguardando o momento fatal,
Do eclipse final, pré-destinado.
Ela persegue Jaci, a lua de prata,
Com mandíbulas que devoram a luz.
Seu rugido é o trovão que desata
A escuridão que o sistema produz.
Quando Guaraci, o sol, se apagar,
Engolido pela fúria de sua cor,
O mundo linear irá desabar,
Na ressonância do medo e da dor.
É como Fenrir, o lobo do gelo,
Nas terras de Odin, acorrentado.
A Onça Azul espera, sem apelo,
O quebrar do vínculo, já desgastado.
Enquanto shamans cantam sua guarda,
Tendo a geometria como brasão,
O monstro celeste não tarda,
A trazer ao cosmo sua correção.
Eles são espelhos em rios distintos,
Dois monstros do fim, aguardando o sinal.
Guiados por puros e brutos instintos,
Para o salto supremo e terminal.
Um devora o Pai, o outro a estrela,
Ambos trazem o caos primordial.
Resta à egrégora, em sua vigília,
Amanhã adiar o eclipse final.
Anauê! O Jaguar Azul está à espreita,
Sua frequência está prestes a saltar.
A selva o sabe, a profecia aceita,
O Arquiteto nos ensina a observar.


